Em maio e junho de 1936, após a eleição do governo da Frente Popular, a França foi tomada pela maior greve geral de sua história até então. Esse movimento inspirador conquistou importantes vitórias para a classe trabalhadora, como a semana de trabalho de 40 horas. Mas, poucos anos depois, muitas dessas conquistas foram revogadas, e a classe trabalhadora francesa foi atomizada sob a ocupação nazista.
Que lições os comunistas podem aprender com esses eventos? Como esse movimento, que poderia ter se transformado em uma revolução completa, acabou sendo derrotado?
Este artigo, escrito por Jérôme Métellus, um dos principais camaradas do Partido Comunista Revolucionário (PCR) na França, aborda essas questões. Se você quiser saber mais sobre esse período turbulento, junte-se a nós na Escola Mundial do Comunismo – um evento único organizado pela Internacional Comunista Revolucionária.
Ali, importantes comunistas de todo o mundo conduzirão debates sobre mais de 20 temas, da filosofia à economia e à história, incluindo as lições da França de 1936.
[Publicado originalmente em francês em marxiste.org]
Há 90 anos, em 3 de maio de 1936, a Frente Popular — uma coalizão que reunia o Partido Comunista Francês (PCF), a Seção Francesa da Internacional Operária (SFIO, atual Partido Socialista) e o Partido Radical — venceu as eleições legislativas. Oito dias depois, em 11 de maio, trabalhadores do setor aeronáutico das fábricas Breguet, em Le Havre, deflagraram uma onda de greves e ocupações de fábricas que durou várias semanas e paralisou o país.
Assim que assumiu o poder, o novo governo — liderado por Léon Blum (SFIO) — aprovou uma legislação que instituía, entre outras medidas, a jornada de trabalho de 40 horas semanais e duas semanas de férias remuneradas. Na memória coletiva do movimento operário, a Frente Popular está associada a essa magnífica mobilização dos trabalhadores e a essas reformas sociais.
Essas reformas, ao limitarem a jornada de trabalho e, consequentemente, libertarem os trabalhadores — em certa medida — da fábrica ou do escritório, elevaram-nos um pouco acima da condição de meros escravos do grande capital. É justo, portanto, que hoje continuemos a celebrar a ousadia e a energia desses trabalhadores: eles escreveram um dos capítulos mais brilhantes da história da nossa classe.
No entanto, os capítulos seguintes foram sombrios. Dois anos e meio após chegar ao poder, a Frente Popular deu lugar a uma coalizão de direita. A maioria das conquistas sociais da primavera de 1936 foi revertida. Um ano depois, a classe trabalhadora estava sufocada sob o regime de Pétain e a ocupação nazista.
Por que as esperanças da Frente Popular foram tão abruptamente frustradas? Por que o ímpeto revolucionário da primavera de 1936 não conduziu a uma nova sociedade, livre da pobreza e da exploração? O que faltou? É importante responder a essas perguntas, pois a história da Frente Popular e de seu colapso oferece lições valiosas para todos aqueles que, hoje, lutam por um mundo mais justo.
A ameaça fascista
Mal havia saído da Primeira Guerra Mundial, o capitalismo logo mergulhou novamente em uma crise orgânica que, a partir do início da década de 1930, trazia consigo a ameaça de uma nova conflagração militar mundial.
A recessão econômica minava as bases materiais do reformismo e da democracia parlamentar. As contradições de classe atingiam novos patamares. Era uma época de revoluções e contrarrevoluções, como demonstrado tanto pela ofensiva do movimento operário espanhol quanto pela subjugação dos trabalhadores alemães sob a bota nazista. Também na França, o impasse do capitalismo colocava o movimento operário diante da seguinte escolha imediata: a tomada do poder pela classe trabalhadora ou uma ditadura reacionária.
Como os líderes das principais organizações do movimento operário francês encararam essa situação? Os dirigentes da SFIO fecharam os olhos para a gravidade da crise e suas implicações. Eles reconheciam, em palavras, a necessidade de derrubar o capitalismo, mas toda a sua política baseava-se na perspectiva de uma transformação gradual e pacífica do sistema social, viabilizada por uma maioria parlamentar de esquerda.
Na Alemanha, essa mesma política dos dirigentes “socialistas” havia fracassado claramente. No entanto, Léon Blum, líder da SFIO, empenhou-se em convencer as massas de que “a França não é a Alemanha” e de que uma ofensiva revolucionária não seria necessária na França para acabar com a exploração, a pobreza e o desemprego.
Por sua vez, os dirigentes do PCF, até 1934, seguiam a política do chamado “terceiro período”, que consistia em caracterizar a SFIO como um partido “social-fascista”. O PCF recusava qualquer forma de ação conjunta com a SFIO diante das organizações fascistas genuínas, cuja influência crescia constantemente entre as massas da pequena burguesia.
Na Alemanha, essa mesma política de divisão do movimento operário havia sido aplicada pelo partido comunista mais poderoso da Terceira Internacional fora da Rússia, até que Adolf Hitler tomou o poder e esmagou as organizações operárias — incluindo o Partido Social-Democrata, tachado de “social-fascista”.
Essa catástrofe revelou a extensão da degeneração da Terceira Internacional, cuja causa fundamental foi a degeneração da própria Revolução Russa. Isolada em um país atrasado, a democracia soviética estabelecida pela Revolução de Outubro de 1917 acabou cedendo lugar ao stalinismo: a ditadura de uma casta parasitária e privilegiada.
A Frente Popular
Fundamentalmente, a Frente Popular foi uma aliança de três partidos: o PCF, a SFIO e o Partido Radical. A aliança do PCF com a SFIO implicava, portanto, o abandono da teoria do “social-fascismo”. Como explicar essa mudança de 180 graus por parte da direção do PCF?

Apesar de seus graves erros políticos, os dirigentes da Terceira Internacional — e de sua seção francesa — não podiam ignorar as lições da catástrofe alemã. Afinal, não tinham interesse em ver o fascismo tomar o poder na França. Mas, nesse caso, o fator principal não foram os receios de Maurice Thorez (líder do PCF) ou de Georgi Dimitrov (chefe da Terceira Internacional): foi a poderosa pressão da massa de trabalhadores, que ansiava instintivamente pela unidade das organizações operárias.
Em 6 de fevereiro de 1934, uma manifestação fascista tentou marchar sobre a Assembleia Nacional. Confrontos com a polícia deixaram 17 mortos e provocaram a queda do governo. Em resposta a essa tentativa de golpe de Estado, os sindicatos e os partidos de esquerda convocaram uma greve geral para 12 de fevereiro. A greve foi um êxito. E, naquele dia, quando as passeatas do PCF e da SFIO convergiram para a Place de la Nation, suas fileiras se misturaram em um clima de entusiasmo. Ao confrontar os dirigentes do PCF com o fato consumado da unidade nas ruas, os trabalhadores desferiram um duro golpe na teoria do “social-fascismo”.
No entanto, essa unidade entre o PCF e a SFIO não era a mesma que se concretizou na Frente Popular, a qual se estendia até o Partido Radical. Nesse contexto, um dos principais fatores foi o pacto franco-soviético assinado em Paris, em 2 de maio de 1935. Esse pacto teve consequências significativas para a política do PCF, uma vez que o partido foi instado a demonstrar deferência ao imperialismo francês. O comunicado oficial do Ministério das Relações Exteriores soviético declarava: “Stalin compreende e aprova plenamente a política de defesa nacional da França, voltada para a manutenção de suas forças armadas em um nível que garanta a segurança”.
Essa posição estava em total contradição com os princípios do internacionalismo revolucionário. Na época de Lênin, seria inconcebível que a assinatura de um acordo com um governo imperialista — como aquele imposto pela Alemanha à Rússia bolchevique em 1918, em Brest-Litovsk — implicasse que os comunistas apoiassem as políticas da potência imperialista em questão.
Contudo, em 1935, a direção da Terceira Internacional anunciou aos trabalhadores franceses que o momento de derrubar a classe capitalista francesa havia passado; agora, era hora de colaborar com essa mesma classe capitalista. A aliança dos partidos de esquerda com o Partido Radical — que acabou por se tornar um laço no pescoço da Frente Popular — foi o instrumento dessa política de colaboração de classes.
O Partido Radical
Os líderes da SFIO e do PCF justificaram sua entrada em uma frente com o Partido Radical pela necessidade de “aliar-se às classes médias” (pequenos agricultores, pequenos comerciantes, etc.), que constituíam o eleitorado tradicional dos Radicais. Mas, na realidade, o Partido Radical não era o partido das classes médias: ele representava os interesses da classe capitalista, que utilizava esse partido para subjugar politicamente as classes médias.
Como escreveu Trotsky:
“O Partido Radical expressa os interesses da grande burguesia, e não da pequena. Por sua própria essência, ele representa a maquinaria política de exploração da pequena burguesia pelo imperialismo. A aliança com o Partido Radical é, consequentemente, uma aliança não com a pequena burguesia, mas com seus exploradores. Não é possível concretizar uma aliança genuína entre operários e camponeses sem ensinar a pequena burguesia a emancipar-se do Partido Radical, a livrar-se de uma vez por todas do jugo que ele lhe impõe. Ora, a Frente Popular age de maneira diretamente oposta; ao integrar essa ‘frente’, socialistas e comunistas assumem a responsabilidade pelo Partido Radical e, assim, ajudam-no a explorar e atrair as massas.”
Essa aliança entre partidos operários e um partido burguês só poderia resultar em um programa alinhado aos interesses do capitalismo. Os radicais opunham-se sistematicamente a qualquer medida que pudesse desagradar às “200 famílias burguesas” que controlavam os rumos da economia nacional.
O radical Daladier escreveu: “O programa da Frente Popular não contém nenhuma cláusula que possa prejudicar os interesses legítimos de qualquer cidadão, causar preocupação aos poupadores ou minar qualquer força saudável da classe trabalhadora francesa”. Por exemplo, esse programa não previa nenhuma nacionalização além da nacionalização da indústria militar — o que, aliás, atendia aos interesses da própria burguesia, dada a perspectiva de uma nova guerra mundial.

A aliança da esquerda com o Partido Radical estava em desacordo com toda a dinâmica da situação. A crise do capitalismo e o acirramento das contradições de classe vinham acompanhados de uma crescente polarização da sociedade — tanto à esquerda quanto à direita. A classe trabalhadora deslocava-se rapidamente para a esquerda. Quanto às classes médias, elas abandonavam o Partido Radical em direção à esquerda, à direita ou à extrema-direita.
Isso ficou claramente demonstrado no primeiro turno das eleições gerais de abril de 1936. Enquanto a SFIO manteve o resultado de 1932 (apesar da dissidência da ala direitista dos “neo-socialistas”), a votação do PCF saltou de 780 mil para quase 1,5 milhão, ao passo que os Radicais perderam mais de 500 mil votos. Assim, apesar do apoio que os dirigentes do PCF e da SFIO deram aos Radicais, os trabalhadores e uma parcela significativa das classes médias rejeitaram os Radicais e dobraram a votação do partido que se reivindicava herdeiro da Revolução de Outubro.
O segundo turno conferiu aos partidos da Frente Popular a maioria absoluta. O número de cadeiras do PCF subiu de 10 para 72 e o da SFIO, de 97 para 147, enquanto o dos Radicais caiu de 159 para 116. Como maior grupo parlamentar da Frente Popular, a SFIO indicou seu líder, Léon Blum, para chefiar o governo. No entanto, em vez de forçar a renúncia imediata do governo em exercício, Léon Blum decidiu respeitar o “prazo constitucional” de um mês. Essa foi uma forma de dizer aos trabalhadores: “respeitaremos as leis da República burguesa”.
As massas responderam com uma mobilização revolucionária de proporções inéditas.
A ofensiva revolucionária
Não faltaram sinais de alerta sobre a onda de greves de maio e junho de 1936. Por exemplo, em agosto de 1935, trabalhadores dos estaleiros navais de Brest e Toulon rebelaram-se — com bandeiras vermelhas à frente — contra cortes salariais. Eventos semelhantes ocorreram em Limoges, em setembro do mesmo ano.
Em 11 de maio de 1936, eclodiu uma greve na fábrica da Breguet, em Le Havre: 600 trabalhadores ocuparam as instalações. Em 13 de maio, foram os trabalhadores da Latécoère, em Toulouse, que ocuparam suas fábricas. No dia 14, foi a vez das fábricas da Bloch, em Courbevoie. Nos dias seguintes, as greves com ocupação multiplicaram-se no setor metalúrgico da região de Paris.
Em 24 de maio, a tradicional homenagem aos Communards de 1871, no cemitério do Père-Lachaise, reuniu uma multidão de 600 mil pessoas. Os radicais estavam visivelmente ausentes. A partir de 2 de junho, o movimento grevista ultrapassou os limites da indústria metalúrgica e varreu todo o país. Em um período de 15 dias, mais de 2,5 milhões de trabalhadores foram tomados pelo fervor revolucionário.
Em 5 de junho, Leon Trotsky escreveu:
“Toda a experiência passada da classe trabalhadora — a história de sua exploração, misérias, lutas e derrotas — ganha vida sob o impacto dos acontecimentos, desperta na consciência de cada proletário, mesmo do mais atrasado, e o impulsiona para as fileiras comuns. A classe inteira foi posta em movimento. Essa massa colossal não pode ser detida por palavras. A luta deve culminar ou na maior das vitórias ou na mais terrível das derrotas.”
Na medida em que abrange não apenas a vanguarda da classe trabalhadora, mas também as suas camadas geralmente passivas e desorganizadas, uma greve desse tipo constitui a centelha clássica de uma revolução.
O significado das ocupações não escapou aos capitalistas: tratava-se de um ataque direto à sacrossanta propriedade privada — a qual, aos olhos de milhões de assalariados, havia deixado exatamente de ser sacrossanta. Os trabalhadores sinalizavam que queriam ser os senhores onde, até então, não passavam de escravos. A questão colocava-se para todos: “quem deve controlar a economia: os capitalistas ou os trabalhadores?”
Nesse contexto, um partido revolucionário poderia ter impulsionado a criação de conselhos de trabalhadores articulados do nível local ao nacional. Isso teria permitido à classe trabalhadora tomar o poder, destruir o Estado burguês, estabelecer um Estado operário e iniciar a coletivização dos principais meios de produção.

O que fizeram o PCF, a SFIO e a CGT (Confederação Geral do Trabalho)? Embora suas bases – em particular as do PCF e da CGT – estivessem profundamente envolvidas no movimento, seus dirigentes, assim como os capitalistas, foram tomados pelo pânico. Em 3 de junho, antes mesmo de assumir o cargo de Ministro do Interior, o deputado “socialista” Roger Salengro declarou na Assembleia Nacional:
“Que aqueles cuja tarefa é dirigir as organizações operárias cumpram o seu dever. Que se apressem em pôr fim a essa agitação injustificada. Quanto a mim, minha escolha é clara: ordem ou anarquia. Defenderei a ordem contra a anarquia.”
Leon Trotsky comentou:
“Ordem é o nome que essa pessoa dá à anarquia capitalista. Ela dá o nome de anarquia à luta por uma ordem socialista.”
Os dirigentes do PCF — que haviam prometido apoiar o governo Blum “sem reservas e sem hesitações” — utilizaram toda a sua autoridade para restaurar a “ordem” exigida por Salengro e pelos líderes radicais. Juntamente com Léon Jouhaux, dirigente da CGT reunificada, Maurice Thorez declarou que os objetivos daquele movimento eram “puramente econômicos” e que qualquer outra interpretação só poderia ser obra de provocadores ou de indivíduos irresponsáveis.
Depois que representantes do grande empresariado assinaram os Acordos de Matignon na noite de 7 para 8 de junho — os quais incluíam, entre outras coisas, a jornada de trabalho de 40 horas semanais, duas semanas de férias remuneradas e um aumento salarial de 7% a 15% —, Thorez declarou: “É preciso saber quando encerrar uma greve assim que as reivindicações forem atendidas”.
Ao mesmo tempo, novas greves com ocupações de locais de trabalho começavam a eclodir, particularmente nas grandes lojas de departamentos de Paris. No entanto, ao longo do mês de junho, as lideranças da CGT, da SFIO e do PCF conseguiram reconduzir o movimento ao terreno das “reivindicações econômicas”. Consequentemente, a greve foi perdendo força gradualmente. Em alguns casos, o governo da Frente Popular mobilizou a polícia para pôr fim àquela “agitação injustificada”, para usar a expressão de Salengro.
A contrarrevolução levanta a cabeça
Costuma-se dizer que as greves de maio e junho de 1936 foram desencadeadas pelas “esperanças” que os trabalhadores depositavam na Frente Popular após a sua vitória eleitoral. Embora haja verdade nisso, seria mais correto dizer que as greves foram provocadas pela falta de confiança das massas na capacidade da Frente Popular de romper a resistência do grande capital. Os trabalhadores desconfiavam particularmente dos Radicais — e com toda a razão. À sua maneira, os grevistas queriam “ajudar” a Frente Popular a tomar medidas decisivas contra os capitalistas.
Os líderes da Frente Popular — incluindo os do PCF — recusaram veementemente essa ajuda. Mas, ao arrancarem dos patrões concessões que iam muito além do programa da Frente Popular, os trabalhadores provaram, mais uma vez, que reformas genuínas são sempre subprodutos de movimentos revolucionários.
A classe dominante só fez concessões porque temia perder tudo. No entanto, uma vez passada a onda revolucionária, ela manteve o controle da economia e utilizou-o para retomar com uma mão aquilo a que fora forçada a renunciar com a outra.
A maquinaria parlamentar — com seu Senado reacionário, sua administração burocrática, etc. — permitiu sabotar a ação do governo. Além disso, a fuga de capitais ameaçava o governo Blum com a falência. Cedendo à pressão, ele desvalorizou a moeda nacional (o franco), agravando assim a inflação, que rapidamente corroeu os aumentos salariais concedidos em junho de 1936.
Incapaz de enfrentar o poder econômico da classe dominante, Léon Blum viu-se condenado à impotência e renunciou em junho de 1937. Os governos subsequentes inclinaram-se cada vez mais para a direita. Greves foram duramente reprimidas, particularmente aquelas deflagradas em novembro e dezembro de 1938 em resposta à tentativa do governo radical de Daladier de acabar com a jornada de 40 horas semanais.
Desmoralizado e paralisado por seus próprios líderes, o movimento operário foi conduzido ao caminho da guerra e acabou sendo esfacelado pelo regime de Pétain em 1940. “Revolução socialista ou ditadura reacionária”: a perspectiva apresentada por Trotsky já em 1934 concretizou-se em meio às ruínas de um dos maiores movimentos revolucionários que a França já conhecera. Somente com a insurreição contra a ocupação alemã, em agosto de 1944, a classe trabalhadora recuperou-se dessa derrota severa e retomou a confiança em sua própria força.


