Uma “Conferência Internacional Contra a Guerra” acontecerá em Londres no dia 20 de junho, anunciada como a maior do gênero em anos.
Este evento sucede uma conferência similar contra a guerra realizada em Paris em outubro passado, que atraiu cerca de 4 mil pessoas.
Os organizadores do evento parisiense afirmaram ter reunido “todas as forças democráticas” para “alertar” e “organizar-se pela paz”.
Com esses objetivos em mente, os participantes ouviram discursos de personalidades selecionadas, que se manifestaram contra a guerra e contra o genocídio em Gaza.
Agora, um encontro semelhante será realizado em Londres.
Heterogeneidade política
É preciso dizer desde já: se o evento de Londres for semelhante ao de Paris, certamente não se trata de uma “conferência”, como anunciado.
Em vez de qualquer tipo de democracia participativa ou de participação do público, é mais provável que seja um comício, com uma lista de oradores pré-selecionados.
Dito isso, esta “conferência” reuniu o patrocínio de uma gama impressionante de organizações: quatorze sindicatos nacionais, incluindo Unison, UCU, RMT, ASLEF, NEU e PCS, além de mais de 100 seções sindicais e conselhos de classe.
Também conta com o apoio de dezenas de organizações pacifistas e grupos de solidariedade de amplo espectro, como a Stop the War Coalition, a Campaign for Nuclear Disarmament, a Palestine Solidarity Campaign, o Peace and Justice Project, a Bertrand Russell Peace Foundation, a Cuba Solidarity Campaign e a Venezuela Solidarity Campaign.
Politicamente, conta com o apoio do Morning Star, do Comitê Internacional dos Socialistas Democráticos da América, bem como da Associação Muçulmana da Grã-Bretanha. E haverá representantes de partidos de esquerda de toda a Europa, incluindo o Podemos, a França Insubmissa, o Die Linke e o Partido dos Trabalhadores Belga.
O evento está sendo realizado sob a palavra de ordem “Os povos da Europa exigem paz”.
De acordo com os organizadores da conferência, o objetivo é “construir um movimento” na Europa e internacionalmente contra o rearmamento, o militarismo e a escalada rumo à guerra.
Entre os palestrantes estarão o deputado Jeremy Corbyn, a deputada Zarah Sultana, o deputado Richard Burgon, o deputado John Trickett, o escritor Tariq Ali, o vice-líder do Partido Verde Mothin Ali, o secretário-geral da NEU, Daniel Kebede, a secretária-geral do PCS, Fran Heathcote, e muitos outros.
Essa lista de palestrantes certamente demonstra a ampla gama de opiniões políticas presentes no evento: de ex-autores radicais a reformistas de esquerda; de pacifistas convictos a “progressistas” liberais – e todas as nuances entre esses extremos.
A heterogeneidade política do evento também se evidencia no material divulgado por seus principais patrocinadores, como a Stop the War Coalition.
“Os objetivos da conferência”, afirma a Stop the War (StW), em uma resolução modelo para seções sindicais, “são apoiar as posições assumidas na TUC deste ano em favor de ‘salários, não armas’ e o apoio ao movimento palestino”.
Esta moção também defende a necessidade de “ampliar e aprofundar os laços internacionais entre sindicalistas, movimentos pacifistas e forças progressistas”.
O que são essas “forças progressistas” não é definido. Mas presume-se que inclua todas as forças liberais e morais que se opõem à guerra – uma aliança extremamente ampla, para dizer o mínimo.
“Construindo o movimento”
Os organizadores certamente têm tocado os tambores da guerra. Eles alertam que o perigo de guerra é iminente e que precisamos agir.
De fato, o folheto que divulgaram em 20 de junho anuncia que “o lobo está à porta”.
“Falar de guerra tornou-se preparação para a guerra em todo o continente europeu”, afirmam. “Diante da guerra e das divisões racistas que ela gera, devemos criar nossa própria rede internacional que se organize pela paz…”
Em outras palavras, segundo os organizadores, é necessário reunir o maior número possível de pessoas para resistir à escalada rumo à guerra e ao militarismo, por meio de uma “rede” internacional.
John Rees, um dos principais organizadores do evento, resumiu a “conferência” do ano passado falando sobre “o perigo extremo que enfrentamos, de nossos governos se prepararem para a guerra, guiados pela internacional fascista liderada por Donald Trump”. Ele exortou o público em Paris a se mobilizar e “construir e fortalecer o movimento”.
Mas o que significa “construir um movimento” com uma coalizão (ou “rede”) tão politicamente amorfa?
Rees relembrou seu envolvimento no movimento contra a Guerra do Iraque de 2003, quando milhões foram às ruas de Londres. Segundo ele, “será necessário exatamente esse tipo de movimento para que a escalada da guerra na Europa seja interrompida”.
O que ele omite é que, apesar dos milhões nas ruas, Tony Blair e a classe dominante britânica ignoraram esses protestos e entraram em guerra mesmo assim. Eles não se deixaram influenciar pela oposição em massa nas ruas, e se deixaram guiar por seus próprios interesses de classe – nada mais, nada menos.
Como Marx explicou, na democracia burguesa, você pode dizer o que quiser, mas os banqueiros e capitalistas decidem no final.
Apesar das afirmações grandiosas de Rees, em que essa conferência de Londres será diferente do evento de Paris?
Na realidade, apesar das boas intenções, ela não produzirá resultados tangíveis. Em essência, consistirá nos mesmos discursos proferidos milhares de vezes pelas mesmas pessoas – ou por pessoas semelhantes – sobre o quão ruim é a guerra e o quão desejável é a paz.
Mas milhões de jovens em todo o mundo não precisam de uma conferência em Londres para lhes dizer que o imperialismo é ruim, a guerra é horrível e assim por diante. Eles já sabem disso.
Em vez de deixar a tarefa para essas coalizões e campanhas, precisamos perguntar: onde estão os dirigentes dos sindicatos e das organizações de massa da classe trabalhadora nessa questão?
Eles dirigem organizações com milhões de membros. Alguns deles estarão presentes nesta conferência. Na prática, porém, não moveram um dedo. Lavam convenientemente as mãos ante qualquer luta séria e simplesmente a “terceirizam” para organizações de frente ampla como a Stop the War.
A magnífica greve geral política na Itália, em outubro passado, em solidariedade a Gaza, aponta na direção certa.
Mesmo lá, os dirigentes sindicais da CGIL protelaram, como de costume. Mas foram forçados a convocar uma ação, devido à pressão de baixo para cima. Juntamente com sindicatos menores como o USB, saíram às ruas desafiando a lei e apesar de o Estado ter declarado a greve geral “ilegítima”.
Em comparação, o que fizeram os dirigentes sindicais britânicos? O melhor que podem oferecer são protestos tímidos. Patrocinam alegremente todo tipo de coisa, mas fazem pouco na prática quando a situação aperta.
Em relação à Guerra contra o Irã, a TUC – supostamente o “estado-maior” do movimento sindical – simplesmente emitiu uma declaração ambígua, apelando para que “todos os estados e atores internacionais assumam suas responsabilidades históricas de apoiar a desescalada… sob a Carta das Nações Unidas”.
Chris Nineham, do StW, escreveu que era uma “boa notícia” que a Unison, a Unite e a CWU tivessem apoiado a declaração condenando “uma guerra ilegal” e o “abandono das negociações diplomáticas pelos Estados Unidos”.
Esta declaração também afirma que os relatos de baixas iranianas são “profundamente perturbadores” e exigem “uma investigação urgente e independente”. Além disso, pede “um retorno imediato à diplomacia”.
Esta declaração branda e evasiva foi assinada por 15 secretários-gerais de sindicatos. A “esquerda” e os dirigentes sindicais trabalharam arduamente e pariram um rato! E isso é “uma boa notícia”, segundo StW!
Conversa fiada
Houve muitos congressos “anti-guerra” no passado, especialmente na década de 1930. Mas todos eles não alcançaram absolutamente nada.
Em 1932, tivemos o grande “Congresso Internacional da Guerra contra a Guerra” em Genebra. Este reuniu “todas as pessoas, todos os grupos, independentemente de suas filiações políticas, e todas as organizações trabalhistas – culturais, sociais e sindicais – todas as forças e todas as organizações de massa”.
Politicamente, essa ampla frente de “forças progressistas” foi dominada por platitudes pacifistas. Foi, na realidade, uma “mascarada perniciosa”, para usar as palavras de Trotsky.
O Congresso de Genebra forneceu uma plataforma para os líderes reformistas proferirem discursos vazios sobre a necessidade de “construir o movimento” contra a guerra; para mostrar o quão “radicais” eles poderiam ser, sem qualquer compromisso real. Mas foi totalmente impotente para impedir a Segunda Guerra Mundial.
As conferências atuais não são diferentes das do passado. Dizem-nos que todos devemos nos unir – diluindo qualquer política ou programa ao mínimo denominador comum – para “compartilhar opiniões” e “aprender uns com os outros”.
Em vez disso, devemos aprender com a história: nenhuma quantidade de debates pode ou irá acabar com a guerra.
Pacifismo e moralismo
O principal problema deste último encontro amorfo – ou “conferência” – é a sua completa ausência de conteúdo de classe, muito menos de conteúdo revolucionário.
A perspectiva predominante deste evento é uma abordagem pacifista e moralista da guerra – uma perspectiva compartilhada por todos os reformistas de esquerda e pelos bem-intencionados.
Toda pessoa sensata deseja a paz. Mas, como diz a Bíblia, clamam por “paz, paz, quando não há paz”. Sob o capitalismo, nesta época de decadência e declínio, não há paz – apenas crise e conflito; miséria e guerras perpétuas.
Os apelos por paz sob o imperialismo e para que a classe dominante mude seus costumes são utópicos. São uma tentativa de reconciliar o irreconciliável.
Nenhuma quantidade de “pressão” sobre a burguesia, ou “união de todas as forças progressistas”, acabará com a guerra e o conflito.
A opinião pública pode ter certo impacto, obrigando a classe dominante a modificar sua posição em questões secundárias. Mas jamais poderá forçar os capitalistas e imperialistas a mudar de rumo em questões importantes que afetam seus interesses fundamentais.
Reconhecemos que o pacifismo, para a maioria, é uma expressão sincera do desejo de pôr fim à guerra. Mas, diante do militarismo desenfreado, acaba impotente e num beco sem saída completo. É como os cristãos apelando ao diabo para que ele mude de rumo.

Ao mesmo tempo, devemos lembrar que nem todas as guerras são iguais. Existem guerras de dominação imperialista. Mas também existem guerras de libertação nacional e social, que apoiamos, como foi o caso da Guerra do Vietnã.
Os pacifistas acreditam ser possível fazer com que as classes dominantes se comportem melhor e se desarmem, para que as pessoas comuns possam viver em paz lado a lado. Mas isso é um sonho utópico.
Como Lênin explicou incansavelmente, não há nada mais fútil do que a retórica pacifista vazia e sentimental.
Horror sem fim
A guerra não é uma questão moral, como pacifistas e reformistas desejam fazer crer. Não tem nada a ver com pessoas boas e más.
As guerras sob o capitalismo são travadas por razões objetivas. Surgem da necessidade dos imperialistas por mercados, matérias-primas e esferas de influência. As diferentes potências capitalistas manobram para defender seus interesses materiais: seu poder, lucros e prestígio.
Como bem observou o teórico militar prussiano Carl von Clausewitz: a guerra é simplesmente a continuação da política por outros meios – a continuação da pilhagem e da exploração capitalista por meios violentos e destrutivos.
Assim como a noite segue o dia, portanto, sob o capitalismo, as guerras são inevitáveis em algum momento. São o produto das contradições insolúveis do capitalismo; dos limites impostos às forças produtivas pela propriedade privada e pelo Estado-nação.
Toda a história do capitalismo é uma história de conflitos sangrentos e de conquistas – especialmente na época do imperialismo. Como disse Lênin, “o capitalismo é um horror sem fim”.
Quase não houve um único dia de paz desde a Segunda Guerra Mundial, com guerras ocorrendo constantemente em uma parte ou outra do mundo.
Enquanto escrevo, há duas grandes guerras em curso: o conflito na Ucrânia, que é uma guerra por procuração entre a Rússia e o imperialismo ocidental, na forma da OTAN; e a guerra entre o imperialismo americano e o Irã.
Em relação a essas guerras em andamento, muito se tem falado sobre a necessidade de “cessar-fogo”. Mas mesmo quando um acordo temporário ou uma armistício é alcançado, isso reflete apenas uma mudança passageira na correlação de forças. Cedo ou tarde, os interesses frios, egoístas e escusos dos imperialistas se fazem sentir.
Atualmente, o chamado “cessar-fogo” no Irã não vale o papel em que está escrito (embora nem sequer esteja escrito em papel). Ele reflete o dilema dos imperialistas americanos que, tendo se envolvido na guerra por erro, agora estão desesperados para sair desse impasse. Na realidade, eles foram derrotados pelo Irã.
Hoje, invertendo Clausewitz, falar em paz tornou-se a continuação da guerra por outros meios.
Não defendemos o cessar-fogo sem sentido, mas sim a derrota da OTAN e dos imperialistas americanos em nível global. Eles são os maiores gângsteres do planeta.
A principal potência imperialista do mundo, os EUA, têm seguido uma política externa desde 1945 que envolveu: a derrubada de mais de 50 governos; interferência em 30 eleições; o bombardeio de 30 países; o uso de armas químicas e biológicas; e a tentativa de assassinato de líderes mundiais, em alguns casos bem-sucedida.
O imperialismo americano está engajado em “operações especiais” em 124 países. E o fiel lacaio de Washington, o imperialismo britânico, colaborou em muitos desses crimes.
Vejam a Ucrânia. Com o colapso da União Soviética, o imperialismo ocidental buscou estender sua influência à Europa Oriental, provocando a resistência e, posteriormente, a guerra com a Rússia. Isso foi facilitado pela “revolução” do Maidan, que levou ao poder um regime nacionalista extremamente reacionário, apoiado por fascistas em Kiev, regime esse que as potências ocidentais apoiaram e embelezaram.
Kiev realizou um pogrom sangrento em Odessa em 2014, onde um prédio sindical foi cercado e incendiado. Ainda hoje, os líderes ucranianos glorificam os carniceiros fascistas da época da guerra como “heróis nacionais”.
Da mesma forma, os imperialistas ocidentais também presidiram a desintegração da Iugoslávia em 1991-92, principalmente em benefício do imperialismo alemão. Isso resultou em uma série de guerras sangrentas. Tudo isso fazia parte da estratégia do imperialismo ocidental para expandir a OTAN para o leste.
Direito Internacional
Sem dúvida, haverá discursos com tom radical no dia 20 de junho, como em Paris, onde se falou – em meio a grandes aplausos – em levar Blair, Starmer e o restante dos gângsteres imperialistas ao Tribunal Internacional de Justiça em Haia.
Tudo isso soa maravilhoso. Mas quem, na prática, vai conduzir esses casos? A sugestão não passa de radicalismo verbal.
Na verdade, a ideia de que esses tribunais internacionais são de alguma forma “independentes” – isto é, acima da sociedade de classes – é falsa do começo ao fim. Eles existem para construir falsas ilusões de “justiça” capitalista; para enganar as massas, levando-as a confiar nas instituições do establishment liberal e na “ordem baseada em regras”, em vez de em sua própria força como classe.
O discurso superficial que ouvimos sobre a criação de um mundo baseado na “justiça” e na “humanidade” é pura utopia sob o capitalismo, como se esse sistema de “cada um por si” pudesse ser transformado em algo mais ameno e benevolente.
Da mesma forma, é provável que nossos amigos pacifistas façam discursos elogiando as Nações Unidas como um meio para a paz, algo que os reformistas tanto alardeiam.
Mas a classe trabalhadora não deve ter fé na ONU. Ao longo de sua existência, a ONU ou foi usada como pretexto para justificar a agressão imperialista – como no caso da Guerra do Iraque – ou se mostrou completamente impotente.
A ONU jamais poderá resolver as questões fundamentais da guerra e da paz, como a história comprovou. Não foi à toa que Lênin descreveu sua antecessora, a Liga das Nações, como um “covil de ladrões”.
Como comunistas revolucionários, nos opomos à guerra e ao militarismo. Ao mesmo tempo, sempre vinculamos nossa oposição à necessidade de acabar com o sistema que produz as guerras.
Não se cura o câncer com uma aspirina. E não se acaba com a guerra sem acabar com o capitalismo. Nenhum apelo ou pressão sobre a classe dominante acabará com a guerra.
Socialismo ou barbárie
Nossa tarefa não é semear ilusões de pacifismo, mas sim desmascarar todos os subterfúgios e mentiras; revelar os verdadeiros interesses de classe em jogo; e apontar o caminho a seguir.

A situação internacional cada vez mais turbulenta, refletida na agitação das relações mundiais, não se deve aos caprichos de indivíduos, mas surge da crise orgânica do capitalismo.
O sistema capitalista atingiu seus limites, produzindo crises em todos os níveis. Somente através da derrubada deste sistema poderemos eliminar tais crises, incluindo a ameaça de guerras e conflitos. Qualquer coisa aquém disso é uma farsa.
A comunista Rosa Luxemburgo explicou corretamente que a alternativa que a humanidade enfrenta é a barbárie capitalista ou a revolução socialista.
Hoje, tornou-se moda na esquerda citar Luxemburgo, mas despojando suas palavras de qualquer conteúdo revolucionário.
Acreditamos que somente a classe trabalhadora – por meio da realização da revolução socialista e da instituição da democracia operária – pode pôr fim à guerra e, assim, liberar os recursos e a expertise desperdiçados pelo militarismo para transformar o planeta.
Os conflitos imperialistas só podem ser encerrados com a derrubada das classes dominantes em todo o mundo e com a criação de uma sociedade livre de toda exploração e opressão de classe.
Frente popular
Inevitavelmente, atitudes pacifistas vagas são acompanhadas por abordagens colaboracionistas de classe; por apelos a “alianças progressistas” e frentes populares. “Todos juntos, independentemente das diferenças”: esse é o pensamento desses “esquerdistas”.
Esta conferência, por exemplo, é fortemente promovida pela Counterfire – uma organização autodenominada “marxista”, oriunda das tradições pseudomarxistas do Partido Socialista dos Trabalhadores (SWP).
Toda a abordagem da Counterfire e do SWP consiste em promover organizações de frente ampla: seja a Liga Antinazista no passado, ou a Coalizão Pare a Guerra e o Stand Up to Racism hoje.
Essas organizações seguem os passos das frentes populares do passado: diluindo suas ideias para acomodar e apaziguar o maior número possível de elementos autodenominados “progressistas”. Tais “aliados” incluem os reformistas mais moderados do movimento operário, e até mesmo liberais.
Dessa forma, esses “marxistas” se aproximam dos dirigentes sindicais de “esquerda” para “construir o movimento” — angariando patrocínios, taxas de filiação e outras fontes de financiamento ao longo do caminho, é claro.
Esse acompanhamento à “esquerda” leva esses grupos ainda mais para o pântano do oportunismo, que se tornou sua marca registrada.
Eles constantemente tocam os tambores contra o fascismo e falam da necessidade de impedir o avanço do Reform UK a todo custo. Mas isso só leva a uma política de “mal menor”.
“Vote em qualquer partido que impeça o avanço do Reform UK”, afirma Lindsey German, outra figura importante do Counterfire e do Stop the War. Assim, segundo eles, você pode votar nos Conservadores, nos Liberais Democratas, nos Trabalhistas e em qualquer outro partido como o suposto “mal menor”.
Eles ignoram, porém, o fato de que o “mal menor” ainda é mal. Na verdade, esses partidos políticos são todos odiados pelos trabalhadores e jovens comuns. Unir-se aos partidos estabelecidos, com suas políticas pró-capitalistas, apenas prepara o terreno para a inevitável ascensão do Reform UK.
Dessa forma, o “mal menor”, tão prevalecente na chamada “esquerda”, demonstra-se completamente falido.
Sem dúvida, os organizadores da conferência irão objetar: “Mas pelo menos estamos fazendo alguma coisa!”.
Sim, de fato, eles estão fazendo alguma coisa: falando besteira e semeando ilusões de pacifismo.
Temos que dizer a verdade, no entanto. A paz genuína só pode ser alcançada pela luta revolucionária contra o capitalismo e seus representantes.
Trabalhadores e jovens em todos os países desejam honesta e sinceramente a paz, e nós apoiamos essa postura progressista.
Mas devemos afirmar claramente: a verdadeira luta contra a guerra é precisamente a preparação para a revolução socialista – ou seja, a construção de partidos revolucionários e de uma internacional revolucionária.
A única campanha eficaz contra a guerra é uma campanha revolucionária, em outras palavras, que envolva o desmantelamento de quaisquer ilusões pacifistas e a demagogia.
A guerra está a caminho na Europa?
Acima de tudo, além do seu pacifismo hesitante, os reformistas não têm perspectiva nem programa para responder à crise do capitalismo, nem às guerras e conflitos que dela decorrem.
Considere-se a questão de uma iminente guerra em toda a Europa. É verdade que os capitalistas europeus – assustados com as ameaças de Trump de abandonar a Europa, enquanto Putin fortalece a sua posição na Ucrânia – querem aumentar os gastos militares.

A ideia de que estamos enfrentando uma guerra europeia iminente, no entanto, é falsa. Acreditar nisso é engolir a propaganda dos imperialistas ocidentais e do complexo militar-industrial, que anseiam por aumentar os gastos com armamentos.
O General Pudāns, chefe das forças armadas da Letônia, afirmou recentemente que a Rússia poderia invadir os Estados Bálticos até o final de 2028. O serviço secreto britânico fala em 2030.
Mas a ideia de que a Rússia está se preparando para atacar a Grã-Bretanha ou a Europa é uma fantasia, propagada pelos líderes europeus na busca desenfreada de armamentos.
O verdadeiro motivo para esse ímpeto de rearmar-se é que – tendo sido abandonada pelos Estados Unidos e com a Rússia emergindo vitoriosa de sua guerra por procuração contra a OTAN na Ucrânia – as diferentes potências imperialistas europeias temem que seus interesses no exterior sejam prejudicados.
Eles estão, portanto, a exigir o rearmamento, como parte de um esforço para reafirmar a sua força e manter as suas esferas de influência: na Europa Oriental, nos Balcãs, na Ásia Central, na África, etc.
Em outras palavras, não estão a rearmar-se para “defender a Europa”, mas precisamente para defender os interesses imperialistas das grandes multinacionais, bancos e bilionários alemães, franceses e britânicos, à custa dos trabalhadores.
Sistema de saúde versus guerra
Em todo caso, a militarização da Europa está longe de ser certa. Embora a União Europeia tenha prometido € 150 bilhões em empréstimos para a defesa, tem enfrentado dificuldades nesse sentido.
Meloni, por exemplo, ameaça rejeitar um empréstimo de € 15 bilhões para rearmamento, a menos que seja oferecida mais “flexibilização fiscal” para lidar com a disparada dos preços da energia.
“Não podemos justificar aos nossos cidadãos que a UE está permitindo flexibilidade financeira para fins de segurança e defesa”, declarou a primeiro-ministro italiano, “e não para proteger famílias, trabalhadores e empresas de uma nova crise energética”.
Os governos capitalistas da Europa estão sob pressão para aumentar seus gastos militares. Mas são contidos por dívidas colossais, por um lado, e pela oposição da classe trabalhadora, por outro.
A única maneira de financiar um aumento maciço nos gastos com defesa é cortando drasticamente o estado de bem-estar social, o que afetaria seriamente a vida de milhões de trabalhadores.
Vimos como Starmer tentou cortar gastos com bem-estar social e foi forçado a recuar parcialmente sob pressão de seus próprios parlamentares, que por sua vez estavam sob pressão de seus eleitores.
Após muitos meses de atrasos, a revisão dos gastos com defesa do governo resultou em um adicional de £ 13,5 bilhões, em vez dos £ 28 bilhões exigidos pelas Forças Armadas – valor suficiente apenas para compensar cortes anteriores na defesa.
Esses £ 13,5 bilhões supostamente virão de cortes em outros ministérios. Mas Starmer ainda está em conflito com seus ministros.
Os estrategistas do capital não estão satisfeitos, mas reconhecem as dificuldades. “A incapacidade do governo de fazer cortes significativos nos gastos públicos é seu calcanhar de Aquiles fiscal”, lamentou o Financial Times.
Essa polêmica resultou na renúncia inesperada de John Healey, o (agora ex-) secretário de Defesa, que reclamou da falta de vontade do governo Starmer em destinar recursos suficientes à defesa.
Sua renúncia foi seguida pela do ministro das Forças Armadas, Al Carns, e por dois assessores do Ministério da Defesa.
Matthew Savill, diretor de ciências militares do Royal United Services Institute, afirmou: “Parece que a discrepância entre a retórica do governo e a realidade se tornou insustentável”.
Com esse último golpe, Starmer — isolado, ensanguentado e humilhado — está por um fio, enquanto seu poder se esvai rapidamente.
“A turbulência política deixa a modernização das Forças Armadas britânicas em suspenso”, observou o Financial Times.
Na França, todas as tentativas de cortes no orçamento resultaram em crises políticas e na queda de governos sucessivos.
Macron, por exemplo, foi forçado a recuar em suas “reformas” da previdência diante da forte oposição nas ruas.
O mesmo ocorre em outros países. Em todos os lugares, a classe dominante está em um impasse completo. Se tomarem medidas para cortar ainda mais os gastos sociais, enfrentarão novamente uma oposição maciça. Essa é a receita para uma sucessão de lutas de classes em diversos países.
Programa revolucionário
Somos contra o aumento dos gastos militares e o acúmulo de sucata metálica, enquanto escolas e hospitais sofrem com a falta de recursos. Mas como expressar essa oposição?

A resposta é clara: uma conferência genuinamente anti-guerra deve apresentar uma política revolucionária clara.
Mas esperem, diriam os organizadores de eventos como o de 20 de junho, isso vai afugentar os dirigentes sindicais, reformistas e pacifistas!
O que esses organizadores não dizem é que a luta contra a guerra e o militarismo significa travar uma luta contra as máscaras pacifistas e a fraude reformista, que apenas desviam a atenção das tarefas reais.
Este não é o momento para discursos vazios e apelos morais. A menção ocasional e indireta ao socialismo num futuro distante e incerto também é totalmente inadequada.
Como Lênin explicou na Conferência de Zimmerwald em 1915:
“A ideia fundamental da nossa resolução é que uma luta pela paz sem uma luta revolucionária é uma frase vazia e falsa, e que uma luta revolucionária pelo socialismo é o único caminho para pôr fim ao horror da guerra.”
A guerra é precisamente “a continuação da política por outros meios”. Os comunistas não têm uma política distinta para tempos de paz e outra para tempos de guerra.
Em todos os momentos, explicamos que nosso principal inimigo está em casa!
Lutamos para derrubar a classe Epstein e todo o sistema capitalista. E é por isso que precisamos de uma campanha internacional, revolucionária e anti-imperialista séria contra o militarismo e a guerra, com o objetivo de derrubar o capitalismo internacionalmente.
Tal campanha deve incluir as seguintes reivindicações:
- Abaixo a OTAN e todas as outras organizações militares imperialistas!
- Nenhuma confiança nas chamadas Nações Unidas, que ou servem de fachada para o imperialismo, ou são completamente impotentes.
- Não ao alistamento obrigatório! Nem um homem, nem uma mulher, e nem um centavo, para governos capitalistas e suas máquinas de guerra!
- Não ao rearmamento! Por um programa de obras públicas úteis!
- Confisco de todos os lucros militares e expropriação dos mercadores da morte nas indústrias bélicas.
- Exponham a fraude imperialista da “defesa nacional”, cujo objetivo é dominar e oprimir as nações mais fracas.
- Pela luta de classes contra o militarismo e o imperialismo! Nosso principal inimigo está em casa!
- Lutem por uma revolução socialista mundial – a única maneira de realmente resolver a questão da guerra e pavimentar o caminho para uma verdadeira era de paz e prosperidade.
O sistema capitalista está em meio a uma profunda crise, resultando em uma austeridade brutal e ataques a todas as nossas conquistas passadas. O capitalismo não pode mais se dar ao luxo de conceder reformas, apenas tenta impor contrarreformas. Isso está preparando o terreno para explosões sociais em diversos países.
Convulsões revolucionárias estão a caminho.
A tarefa que se apresenta à classe trabalhadora é a erradicação deste sistema social corrupto, que fomenta guerras e consome trilhões em meios de destruição, enquanto reduz drasticamente os investimentos em saúde, educação, moradia e padrões de vida.
Este é o objetivo revolucionário pelo qual o Partido Comunista Revolucionário luta. Trabalhadores de todo mundo – uni-vos!

