A privatização das linhas da CPTM, iniciadas por João Dória e levadas adiante pelo governador Tarcísio, tornou irreconhecível o serviço das linhas 7, 8 e 9 que eram operadas pela CPTM, tanto que nenhuma dessas linhas atingiu a marca de 50% de aprovação entre os usuários desde que foram privatizadas, ainda em 2025 a CPTM registrava 82,5%.
Nos últimos dias 21, 22 e 23 de julho foi a vez das linhas 11, 12 e 13 da CPTM. Em apenas 3 dias em que a Trivia Trens assumiu a operação, uma série de falhas culminou em um dia de desespero e caos quando um trem com passageiros pegou fogo levando a paralisação total das linhas, as 21 estações fechadas e sem serviço PAESE acionado (este procedimento de emergência pode deslocar parte da frota de ônibus para cobrir um trecho ou ramal paralisado).
O governo do estado, que duas semanas atrás pretendia começar a demissão em massa com a suspensão de contrato de 491 ferroviários, faz um giro e agora quer que a CPTM reassuma a operação das linhas pelos próximos 90 dias, cobrindo exatamente o calendário eleitoral.
Está claro que a intenção do governo com isso é a de usar os funcionários da CPTM para que sua campanha não seja prejudicada e, depois de eleito, os ferroviários da CPTM possam ser jogados no olho da rua e os usuários queimados vivos dentro do trem. Não querendo ser usados de cabo eleitoral pelo governo Tarcísio, nossos camaradas ao lado de mais de 100 ferroviários da CPTM, decidiram no último dia 24/07 por greve a partir das 00h00 do dia 04/08.
Por um transporte público, gratuito e para todos!
O boletim publicado pela direção do sindicato central do brasil, sindicato que representa os trabalhadores das linhas 11, 12 e 13 , reflete bem o estado de confusão da categoria. Nesse documento fala-se em garantia de empregos via transferência e também reestatização das linhas, mas por qual objetivo deveriam lutar os ferroviários?
Para nossos camaradas na CPTM, está claro que existe uma pressão muito grande para que a greve seja considerada exitosa se garantir a transferência dos ferroviários para outras empresas públicas como o Metrô, afinal de contas, duas semanas atrás o que estava colocado era o início do processo de demissão em massa.
A realidade da luta de classes mudou radicalmente a situação, após os problemas gerados pela TRIVIA, milhões de pessoas se manifestaram nas redes sociais, em entrevistas de televisão pedindo a reestatização das linhas.
Depois de 7 anos construindo a luta na CPTM através do Comitê de Luta Contra a Privatização da CPTM, para nossos camaradas está claro que hoje temos diante de nós uma situação mais favorável do que nunca para que a luta transborde os muros da ferrovia e se conecte com milhões de passageiros.
Entendemos que aceitar uma transferência de empresas seria, não apenas, deixar escapar uma oportunidade histórica, como também dar as costas ao conjunto da classe trabalhadora que depende desse serviço essencial. Sabemos que os ferroviários não estarão seguros em outras empresas, e que se não for derrotada, a privatização estenderá seus tentáculos em todas as empresas, e sobretudo, sabemos que a reestatização das linhas privatizadas abre o caminho para reverter todas as privatizações feitas pelo governador Tarcísio de Freitas.
Por isso, nós defendemos que a greve deve ter como objetivo a reestatização das linhas, sem demissão dos funcionários das linhas privadas. O peão na linha de frente trabalhando muito e recebendo pouco não deve ser responsabilizado pelo caos das privatizações, são os empresários que estão lucrando, literalmente, bilhões de reais que devem ser responsabilizados.
Existe uma defasagem muito grande entre o estado de consciência dos ferroviários e a situação que mudou muito rapidamente, é natural que seja assim. O trabalho dos comunistas nesse momento é intervir nessa defasagem justamente para que a consciência da grande massa de trabalhadores acompanhe os acontecimentos. Você que está lendo esse artigo pode não ser um ferroviário, mas pode jogar um papel importante para que possamos cumprir o nosso objetivo.
A participação ativa dos passageiros na luta dos ferroviários, demonstrando o seu apoio à greve de formas prática, é um importante fator para que os ferroviários superem suas hesitações e levem essa luta até o final. A criação de comitês de luta pela reestatização das linhas, espalhados por vários bairros de São Paulo e região metropolitana, articulados com o já citado Comitê que é composto pelos ferroviários da categoria, é a tarefa fundamental que você pode se engajar e nos ajudar a enterrar de vez o governo Tarcísio de Freitas e suas privatizações!


