Em 2 de agosto, o historiador e jornalista russo-israelense Artem Kirpichenok foi preso no Aeroporto de Tel Aviv, em Israel, para onde havia viajado a convite para participar de uma conferência acadêmica. A operação foi realizada pela Agência de Segurança de Israel — o Shin Bet —, conhecida por seus métodos, que incluem tortura e um desrespeito absoluto pelos direitos humanos.
Nenhuma acusação formal foi apresentada contra ele, nem no momento de sua detenção nem posteriormente. Por um longo período, sua advogada, Inna Lebedinskaya-Katz, sequer teve permissão para se reunir com ele. Quando a autorização foi finalmente concedida, o encontro limitou-se a apenas uma hora, e ela foi proibida de fazer anotações, o que obrigou a advogada a memorizar todas as informações a partir do relato do próprio cliente.
Segundo Inna, o historiador é submetido a interrogatórios que duram de 18 a 24 horas ininterruptas, algemado e preso a um banco fixado ao chão. Ele é interrogado simultaneamente por três ou quatro investigadores, que o ameaçaram com prisão perpétua; além disso, é privado de sono e mantido em uma cela no subsolo, sob iluminação constante. Livros, cadernos e canetas são proibidos. Embora o estado físico de Kirpichenok seja satisfatório, ele está exausto e deprimido, relata sua advogado.
A lei permite que o Shin Bet negue a um detento o acesso a um advogado por até 20 dias; Kirpichenok foi mantido incomunicável por três semanas, ultrapassando esse limite.
Todas essas medidas são utilizadas para obter uma confissão do acusado, em situações nas quais os investigadores não possuem provas concretas de culpa.
Nenhuma acusação foi formalizada até o momento; os autos do processo não foram apresentados ao advogado; e uma proibição de divulgar informações sobre o caso vigorou até 27 de agosto. Segundo seu advogado, a investigação não tem interesse em apresentar acusações relacionadas às suas viagens ao Irã, como se especulava. Fica claro que as autoridades israelenses pretendem apresentar acusações de natureza um tanto diferente.
Qual seria, então, o principal motivo do interesse dos serviços de segurança israelenses por esse jornalista? Artem Kirpichenok tem estudado, de forma consistente e ao longo de um longo período, a historiografia israelense, desmascarando as mentiras propagadas pelo regime de Israel.
Em livros como The People’s History of Israel and Israel: The Road to Catastrophe (A História do Povo de Israel e Israel: O Caminho para a Catástrofe, em tradução livre), ele revela que todo o discurso sobre a natureza democrática e progressista do Estado de Israel e de suas origens não passa de propaganda, destinada a ocultar os crimes cometidos contra a população palestina pacífica da região. Ele também condenou as ações de Israel na Faixa de Gaza desde o início da guerra, em 7 de outubro de 2023.
Tendo como cenário o agravamento da crise do regime de Netanyahu e a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, as autoridades israelenses estão adotando as medidas mais severas contra todos os seus opositores políticos. Já testemunhamos isso no genocídio de palestinos na Faixa de Gaza, no qual pelo menos 60 mil pessoas foram mortas.
Também já pudemos constatar sobre que princípios realmente se baseiam os supostos defensores dos direitos e liberdades democráticos. Por trás dessas palavras melosas e hipócritas, eles ocultam a defesa dos interesses do imperialismo ocidental no Oriente Médio, região na qual Israel há muito tempo tem sido — e continua sendo — um posto avançado e um instrumento.
Nesse cenário, as autoridades russas também revelaram claramente a sua verdadeira face. A missão russa e os canais diplomáticos oficiais limitaram-se a uma discreta consulta às autoridades israelenses. Fora isso, no entanto, mantêm-se em silêncio absoluto.
É precisamente por isso que, na luta pelas liberdades democráticas, os nossos próprios governos e as suas oposições — pretensamente democráticas — não são, de forma alguma, nossos aliados. Além disso, eles próprios não são defensores dessas liberdades. Apenas os comunistas, a classe trabalhadora e a juventude podem travar essa luta de forma consequente, mas somente se atuarem como uma força de classe, internacional e independente.
Convocamos as pessoas a não se limitarem a meras palavras e atos de solidariedade em apoio a Artem Kirpichenok. Precisamos de uma força política organizada, capaz de unir as massas trabalhadoras de todos os países e mobilizá-las em defesa dos seus interesses. Apenas a pressão conjunta da classe trabalhadora internacional sobre os seus respectivos governos pode impedir tais ataques contra dissidentes.
Atualmente, muitos falam em medidas urgentes para ajudar Artem a sair dessa situação difícil. Mas a verdade é que, quando a liberdade de expressão política é reprimida pela força, ela só pode ser defendida pela força.
A prisão do camarada Kirpichenok não passa de um desdobramento da repressão contra estudantes pró-Palestina nas universidades da Europa e da América, bem como do massacre sangrento em Gaza. Trata-se de uma política unificada, deliberada e sistemática da burguesia israelense e de seus patrões em Washington, levada a cabo há décadas. Ela não pode ser combatida com uma ou duas ações de “solidariedade”, e certamente não apenas em território estrangeiro.
Somente construindo um partido poderoso e independente da classe trabalhadora, que não se limite a fronteiras nacionais, poderemos não apenas garantir a libertação do camarada Artem, mas também impedir que tais incidentes voltem a ocorrer.
Liberdade para Artem Kirpichenok!
Abaixo os carrascos de Netanyahu!
Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos!


