No sorteio da Copa do Mundo da FIFA de 2026, em dezembro passado, o presidente Trump recebeu o primeiro “Prêmio da Paz da FIFA”.
[Originalmente publicado em Communist.red]
A entidade máxima do futebol internacional – que basicamente inventou o prêmio para bajular Trump – afirmou que ele é concedido a uma pessoa que “tomou medidas excepcionais e extraordinárias pela paz” e “uniu pessoas em todo o mundo”. A ironia não passou despercebida.
Após receber o prêmio das mãos do presidente da FIFA, Gianni Infantino – apelidado por alguns de “o homem mais corrupto do futebol” – Trump fez um longo discurso alegando ter salvado “dezenas de milhões de vidas” e que “impediu guerras antes mesmo de começarem”.
Cinco meses depois, seria quase impossível encontrar alguém menos merecedor do Prêmio Nobel da Paz do que Trump.
Desde o sorteio, seu regime sequestrou o presidente venezuelano Nicolás Maduro; expandiu o bloqueio a Cuba numa tentativa de sufocar a Revolução Cubana; ameaçou invadir e anexar a Groenlândia; permitiu que agentes do ICE realizassem batidas por todo o país, resultando nos assassinatos de Renée Nicole Good e Alex Pretti; e, claro, mais recentemente, iniciou uma sangrenta campanha de bombardeios contra o Irã, desencadeando conflitos no Oriente Médio.
Diversas outras questões controversas também foram levantadas em torno do evento, além das maquinações políticas do regime Trump.
Grupos de torcedores reclamaram da especulação de preços, com o custo dos ingressos para os jogos da fase de grupos mais do que dobrando, enquanto os ingressos mais baratos para a final chegam a custar o equivalente a mais de 20 mil reais, em comparação com os 3 mil reais no torneio anterior, no Catar.
Enquanto isso, o custo equivalente em reais de uma passagem de trem de ida e volta de Manhattan para o MetLife Stadium subiu de 65 reais para 750 reais durante o torneio, e os ingressos para os jogos em Boston subiram de 100 para 400 reais.
Além disso, há as preocupações ambientais e de saúde. Com o torneio acontecendo no Canadá, nos EUA e no México, as equipes enfrentam uma distância média de viagem de 8.276 quilômetros, com previsão de calor extremo em muitas cidades-sede durante os jogos.
Dificilmente se pode considerar “verde” ou “ambientalmente responsável” fazer com que jogadores, comissão técnica e torcedores viajem essas distâncias em um curto período. Os jogadores dificilmente estarão em seu melhor desempenho após exigências logísticas tão extenuantes.
A FIFA está usando preços dinâmicos para os ingressos da Copa do Mundo de 2026, permitindo que os preços flutuem com base na demanda. O correspondente esportivo da Sky News, @RobHarris, conversou com torcedores para descobrir se eles estavam dispostos a pagar. https://t.co/EIAN1BmZeD pic.twitter.com/nn0IM0a5B3
— Sky News (@SkyNews) 1 de abril de 2026
Unindo o mundo?
Frequentemente ouvimos que eventos esportivos internacionais têm o propósito de “unir o mundo” e promover a paz. Portanto, seria de se esperar que as ações do governo Trump, juntamente com essas outras questões, fossem suficientes para questionar a adequação dos EUA como sede.
Mas nenhum líder político ou esportivo mundial fez tal apelo. Na verdade, o enviado especial dos EUA, Paolo Zampolli, chegou a recomendar que a seleção iraniana fosse excluída da competição e substituída pela Itália – que não conseguiu se classificar – devido a problemas de segurança que jogadores e dirigentes iranianos poderiam enfrentar caso participassem.
Isso evidencia a completa hipocrisia de organizações internacionais – como a FIFA – que baniram imediatamente atletas russos e bielorrussos após o início da guerra na Ucrânia, mas, enquanto isso, nada dizem sobre o genocídio israelense em Gaza ou sobre o derramamento de sangue contínuo perpetrado pelo regime americano.
Isso também expõe a mentira de que torneios esportivos como a Copa do Mundo – juntamente com eventos culturais como o Eurovision – estão “fora da política” e deveriam ser apenas celebrações de paz, amor, união e humanidade – ou quaisquer outros slogans sem sentido que essas organizações criem para evitar tomar uma posição política que vá contra os interesses do imperialismo ocidental.
Esses órgãos corruptos e gananciosos defenderão alegremente países como os EUA, independentemente de seus crimes e derramamento de sangue, a fim de manter a imagem de uma ordem mundial liberal.
Isso, mais uma vez, demonstra a farsa que é a “ordem baseada em regras” e como as potências imperialistas ocidentais podem continuar a aterrorizar e explorar milhões de pessoas em todo o mundo sem qualquer responsabilização ou consequência.


