Ontem, faleceu Maricarmen Abascal, a mulher de 87 anos que foi despejada da casa onde viveu a vida toda. O caso dela desencadeou uma nova onda, mais radical, do movimento por moradia. Dizemos em alto e bom som: Maricarmen foi assassinada pelo sistema!
[Publicado originalmente em espanhol em comunistasrevolucionarios.org]
Há duas semanas, imagens dela sendo retirada de casa em uma maca de ambulância chocaram todo o país e provocaram uma onda de indignação geral contra essa injustiça. No fim, sua saúde fragilizada não resistiu à imensa dor e ao sofrimento de ser brutalmente despejada de sua casa.
O despejo de Maricarmen representa a situação das mais de 25 mil pessoas despejadas todos os anos: idosos, famílias, jovens e trabalhadores que não têm condições de pagar os aluguéis exorbitantes exigidos por grandes proprietários e fundos abutres. Eles pensam apenas em lucrar o máximo possível, tratando a moradia como um bem de luxo.
É importante manter os responsáveis firmemente na nossa mira. Os policiais que invadiram a casa de Maricarmen — equipados com capacetes, coletes à prova de balas, escudos e cassetetes — para despejar uma idosa em situação de vulnerabilidade agiram sob as ordens do juiz que determinou o despejo. Como vemos diariamente, os juízes não são imparciais; são, na verdade, agentes leais do sistema capitalista.
Quando seus patrões donos de fundos abutres, como a Urbagestión, ordenam “esvaziem esta casa”, eles cumprem as ordens sem sequer pensar nas consequências. Tratou-se de um assassinato de classe: Maricarmen foi sacrificada no altar do capitalismo.
Para os abutres e seus lacaios nos sistemas político e judiciário e nas delegacias, a vida dela não valia nada. Igualmente culpados são os políticos burgueses e social-democratas que, sem questionar, facilitaram os negócios e as atividades desses fundos abutres e dos grandes proprietários de imóveis.
Nós, da Organización Comunista Revolucionaria (OCR), denunciamos todos esses assassinos de classe e o sistema capitalista. Ele é a fonte da barbárie — não apenas dos despejos, mas também das guerras intermináveis, da destruição do meio ambiente e dos cortes constantes em serviços sociais, como educação, previdência e saúde.
Não deixaremos que a morte de Maricarmen seja em vão. Poucos dias após seu despejo, em um vídeo gravado de seu leito de hospital, ela nos incentivou a não desistir e a continuar a luta. Seu espírito de determinação inspirou a todos nós. Seu despejo foi a gota d’água, o incidente que evidenciou a necessidade de intensificar a luta por moradia e contra todas as outras injustiças do sistema.
Milhões de trabalhadores, jovens, idosos e famílias vivem em condições precárias e sob ameaça de despejo, pagando aluguéis que consomem quase metade de seus salários. Alguns jovens não conseguem sair de casa antes dos 30 anos ou mais; alguns aposentados não conseguem fechar as contas com suas aposentadorias, sob a ameaça de que o Partido Popular (PP) as corte e privatize caso chegue ao poder.
Movidos por esse espírito, centenas de milhares de trabalhadores e jovens saíram às ruas em manifestações de massa por todo o país, montando acampamentos nas praças centrais de cidades de norte a sul do território nacional.
A OCR participa ativamente desta luta e apresenta o seu programa. Primeiramente, devemos nos preparar para a greve geral convocada pelos sindicatos para o dia 11 de novembro e apoiá-la. Mas, além disso, para garantir moradia digna para todos, precisamos acabar com o sistema capitalista que trata a habitação como mercadoria e joga as pessoas nas ruas como se fôssemos lixo.
Devemos expropriar os fundos abutres e os grandes proprietários de imóveis e colocar a habitação nas mãos da classe trabalhadora, para que possamos gerir democraticamente os nossos espaços de moradia e garantir que ninguém mais morra nas mãos dos capitalistas em consequência de um despejo.
Viva Maricarmen!


