No sábado, 10 de outubro, dezenas de milhares de pessoas foram novamente às ruas do centro de Londres – em solidariedade à Palestina e para protestar contra três anos da campanha genocida de Israel contra o povo de Gaza, que resultou na morte de mais de 100 mil palestinos e milhões foram desalojados.
[Publicado originalmente em communist.red]
Marchando sob as palavras de ordem “Para que a Palestina viva, o imperialismo deve morrer” e “Abaixo o governo trabalhista da guerra”, o Partido Comunista Revolucionário organizou o maior bloco de sua história para esta manifestação, provavelmente o maior bloco comunista nas ruas da Grã-Bretanha em décadas.
Setecentos jovens revolucionários e combatentes de classe reuniram-se em toda a Grã-Bretanha para se opor à interferência imperialista da “nossa” classe dominante no Oriente Médio e ao seu apoio contínuo ao massacre perpetrado por Israel. Muitos outros participantes da manifestação juntaram-se ao nosso vibrante e enérgico bloco enquanto seguíamos pelas margens do rio Tâmisa.
Mal sabíamos que acabaríamos enfrentando os truculentos capangas da Polícia Metropolitana por quase uma hora e nos tornaríamos alvo de uma campanha difamatória feroz por parte da imprensa sensacionalista de direita.
“Abaixo o governo Trabalhista da guerra!”
Os comunistas revolucionários eram, de longe, o setor mais vibrante, ousado, enérgico e jovem da manifestação.

Camaradas que conversavam com as pessoas e vendiam o jornal The Communist na extremidade do nosso bloco relataram ter visto os olhos das pessoas brilharem à nossa chegada, enquanto um mar de bandeiras vermelhas tomava conta do Victoria Embankment:
“Um rapaz estava filmando o nosso bloco e acompanhando todas as palavras de ordem da lateral. Quando me viu com o jornal, quis comprar um e me disse que era muito inspirador ver os jovens mostrando o caminho, não só aqui na Grã-Bretanha, mas também na França, na Espanha, na Índia e em outros lugares!
“Ele me disse: ‘Quando eu tinha a sua idade, era estudante e protestava nestas mesmas ruas — embora, na época, eu protestasse contra a Guerra do Iraque. Esta é a melhor coisa que vi desde então!’
“Ele me deu uma doação extra, além do valor do jornal, e voltou imediatamente a participar dos gritos de protesto.”
Nosso bloco se destacou especialmente em uma manifestação que foi visivelmente menor, com um público de faixa etária mais elevada e um clima mais contido do que as marchas nacionais anteriores em apoio à Palestina.
A Palestine Solidarity Campaign (PSC), organizadora oficial do ato, afirmou que 250 mil pessoas participaram da marcha no sábado. No entanto, segundo nossas estimativas, é muito provável que o número de participantes tenha sido inferior à metade desse total.
Ainda são números enormes — demonstrando que a Palestina continua sendo um dos principais focos de politização na sociedade britânica —, mas representam uma queda significativa em relação a esta mesma época no ano passado, quando meio milhão de pessoas saíram às ruas para pedir uma Palestina livre.
Essa mudança não se deve a uma queda no apoio à Palestina na Grã-Bretanha atualmente. Muito pelo contrário. Ela ocorre porque centenas de milhares de pessoas foram às ruas quase 40 vezes nos últimos três anos para essas marchas repetitivas de um ponto a outro — e agora elas perguntam, com razão: o que isso conquistou?
Como observamos no editorial mais recente de The Communist:
“Há três anos, trabalhadores e jovens na Grã-Bretanha lutam bravamente em apoio ao povo palestino — tudo isso enquanto enfrentam uma repressão escandalosa por parte do Estado… No entanto, ao longo desse período, a situação no Oriente Médio — e em todo o mundo — só piorou. O povo da Palestina está mais distante da liberdade do que nunca.”
Sem uma perspectiva sólida do que está por vir — de quais medidas podem ser adotadas para intensificar a luta contra o genocídio e o imperialismo —, as pessoas não continuarão a comparecer em massa para ouvir os mesmos discursos batidos sobre a necessidade de “paz” e “justiça”.
Além disso, após anos se opondo ao movimento pró-Palestina e atacando-o implacavelmente, o Partido Trabalhista viu-se forçado a fazer uma concessão simbólica ao movimento, na forma de um “reconhecimento” meramente formal do Estado palestino.
E, desde que Andy Burnham assumiu o comando em Downing Street, o Partido Trabalhista tem tentado cinicamente reconquistar o voto pró-Palestina com gestos igualmente vazios, ao mesmo tempo em que continua a apoiar os sionistas incondicionalmente, tanto econômica quanto militarmente.
Infelizmente, o PSC caiu feito um patinho na manobra de Burnham, classificando os anúncios mais recentes do governo como “um passo significativo, que sinaliza a intenção de responsabilizar Israel por suas violações do direito internacional e crimes contra o povo palestino”. Esse “passo significativo”, argumentam eles, é um sinal de que a “pressão popular deve continuar”.
No entanto, semear ilusões em um governo imperialista odiado e repressivo — que não hesita em prender manifestantes pró-Palestina nem em estender o tapete vermelho para empresas de armamentos — não atrairá as centenas de milhares de trabalhadores e jovens que participaram do movimento pela Palestina ao longo dos últimos três anos.
De fato, essa retórica fraca, confusa e sem rumo — que encarna o pacifismo liberal do PSC — está desmobilizando e desorientando ativamente o movimento.
Para nos distinguirmos dessa confusão e tentarmos munir o movimento com as perspectivas revolucionárias que lhe faltam, marchamos sob a bandeira clara de “Abaixo o governo trabalhista de guerra!”.
“Tout le monde déteste la police”
Enquanto nosso bloco passava pela pequena contramanifestação sionista — convenientemente organizada bem em frente à New Scotland Yard, a sede da Polícia Metropolitana —, policiais agarraram um de nossos companheiros, acusando-o de usar uma cobertura no rosto. Eles o arrastaram rapidamente, jogando-o com o rosto contra o memorial de guerra da Batalha da Grã-Bretanha, que ficava ali perto, antes de algemá-lo.

Claramente, a polícia não esperava que todos nós, cerca de 700 pessoas, os seguíssemos e cercássemos o monumento, exigindo a libertação imediata do nosso companheiro.
Rapidamente, mais policiais chegaram, pisoteando as coroas de flores depositadas no memorial, e partiram para cima do nosso bloco, empurrando, chutando e socando nossos companheiros livremente, com uma fúria brutal nos olhos.
Como era de se esperar, esses eventos foram (ignorando-se uma montanha de provas em vídeo) completamente distorcidos subsequentemente pela cobertura midiática de direita, quase que instantaneamente, nos apresentaram como provocadores violentos e vândalos “lamentáveis”!
“Profanando a memória de Os Poucos“, dizia uma manchete prolixa do Daily Mail: “Vândalos pró-Palestina provocam revolta ao pisotearem papoulas e subirem no memorial da Batalha da Grã-Bretanha, enquanto a marcha descambava para a violência”.
Mentiras tão descaradas dificilmente deveriam nos surpreender, vindas dos mesmos mercenários inescrupulosos que encobriram os crimes de guerra de Israel e justificaram as ações do imperialismo britânico — tudo isso enquanto encontravam tempo para incitar a islamofobia e o racismo anti-imigrante, a fim de dividir a luta de classes internamente.
Os camaradas do PCR resistiram bravamente à agressão violenta da polícia. Gritávamos em uníssono: “A quem vocês servem? A quem vocês protegem?”, enquanto entrelaçávamos os braços para suportar as investidas da Polícia Metropolitana. A disciplina de nossas fileiras contrastava fortemente com a agressividade desajeitada dos “homens de azul” — que estavam visivelmente exaltados e ávidos por uma confusão.
Posicionada no alto, acima da multidão, Fiona Lali pegou o megafone e condenou veementemente a hipocrisia vergonhosa de que — apenas algumas semanas antes — a polícia havia permitido, com toda a calma, que multidões de vândalos de direita mascarados marchassem sem oposição pelas ruas de Dover. Ela continuou:
“Protestamos pacificamente, e é assim que nos tratam. Isso é vergonhoso. Eles querem nos intimidar, impedir que pensemos que podemos vir aqui e protestar pela Palestina. Pois bem, podemos e vamos — contra essa repressão estatal — porque isso é sinal de fraqueza, e não de força.”
Os camaradas certamente não se deixaram intimidar pela agressividade da polícia, bradando em coro um grito popular entre os estudantes que protestam atualmente na França: “Tout le monde déteste la police!” (todo o mundo odeia a polícia).
Visivelmente agitados e enfurecidos com a nossa persistência — e em pânico diante da dimensão da resposta que haviam desencadeado —, os policiais logo começaram a prender nossos companheiros aleatoriamente e a colocá-los à força em viaturas.
É revoltante notar que, durante tudo isso, o serviço de ordem organizado pelo PSC afastaram do nosso bloco, e do confronto com a polícia, os manifestantes que haviam parado para nos ajudar a impedir a prisão de nossos companheiros — garantindo, assim, que a marcha continuasse seu curso habitual, “como de costume”.
Como comentou um membro do PCR de Peckham: “enquanto enfrentávamos a polícia e defendíamos nosso direito democrático de protestar, o PSC agiu efetivamente ao lado da polícia para defender o direito dela de nos oprimir. Onde estava a ‘solidariedade’ aí?”
Neste exato momento, enquanto manifestantes em solidariedade à Palestine Action são presos às dezenas e presos políticos definham em suas celas, os líderes oficiais do movimento pela Palestina fecham os olhos para a repressão que ocorre bem diante deles. Tal submissão inócua ao Estado só pode resultar em derrota e desorientação para o movimento.
“Estou nesta luta até vencermos”
Ao todo, onze de nossos companheiros foram presos e levados para três delegacias diferentes na capital — o que representou mais da metade das prisões realizadas naquele dia. Mais tarde, soubemos que eles foram detidos com base em acusações infundadas, que variavam de “suspeita de causar danos criminais” a “obstrução da justiça”.
Militantes do PCR organizaram rapidamente protestos de solidariedade em frente às delegacias para onde nossos camaradas haviam sido levados — em Walworth, Hammersmith e Charing Cross.
Em uma atitude particularmente covarde em Walworth, quando dezenas de nossos camaradas chegaram com faixas e megafones, a polícia fechou as grades de proteção da delegacia na nossa cara!
Depois de algumas horas, alguns policiais irritados puseram a cabeça para fora e ameaçaram prender todo mundo se não fizéssemos silêncio — mas acabaram sendo recebidos com risadas e voltaram para dentro da delegacia!
Camaradas permaneceram do lado de fora das delegacias por mais de sete horas, entoando palavras de ordem e proferindo discursos que denunciavam esses ataques ao PCR, até que o último camarada fosse finalmente libertado, às 2h30 da manhã, sob vivas e aplausos.
Um dos camaradas detidos, Owen, explicou a diferença que essa solidariedade fez:
“Em nenhum momento, durante a manifestação ou na cela, depois dela, preocupei-me com o que aconteceria comigo. Isso não se deve a qualquer tipo de coragem pessoal, mas sim ao fato de eu saber que contava com o apoio e a solidariedade dos meus camaradas do PCR.
“Eu sabia que, quando meus camaradas foram presos anteriormente, corri para a delegacia para protestar até que fossem libertados — e sabia que eles fariam o mesmo por mim.
“Nem algemas nem restrições impostas pela fiança podem deter uma ideia cujo momento chegou; é com essa convicção que afirmo estar certo de que venceremos. Não deixarei que minha prisão me impeça de construir o partido do futuro: o PCR.”
“O futuro nos pertence”
Seria fácil reagir aos acontecimentos do último sábado com desânimo e pessimismo — diante da violência desenfreada dos capangas do Estado, da vergonhosa campanha de difamação propagada pela imprensa e da inoperância das “esquerdas” oficiais, que temem organizar uma contraofensiva.

Mas nós, como marxistas, somos revolucionários otimistas: compreendemos que, a cada episódio de repressão policial, a cada mentira venenosa cuspida por um jornalista vendido e a cada sinal de fraqueza dos “dirigentes” reformistas, um novo revolucionário é formado.
Sabemos que acontecimentos como os do último sábado — que ocorrem em todo o mundo enquanto escrevemos estas palavras — estão agitando a consciência como nunca antes e enfurecendo milhões de jovens radicais.
Também em nossas próprias fileiras, os acontecimentos do último fim de semana tiveram um efeito eletrizante, galvanizando e fortalecendo nossos camaradas para as lutas que virão.
Até o momento, pelo menos 12 pessoas se juntaram ao PCR na esteira da manifestação — isso representa mais de uma adesão para cada camarada detido!
Um militante do PCR de Liverpool, para quem aquela foi a primeira experiência em um protesto, comentou: “Se eu não estava radicalizado antes, definitivamente estou agora”.
Outro manifestante de Bradford, participando de um protesto pela primeira vez, comentou: “Eu conseguia sentir a determinação do nosso bloco, assim como a nossa força. Sinto muito orgulho do nosso partido, de como lutamos para libertar nossos camaradas e de como todos nós pudemos confiar uns nos outros naquela situação. Nós já somos uma realidade!”
“Entrei para o partido há apenas três dias, mas, depois de hoje, estou pronto para derrubar o Estado”, disse um militante do PCR de Birmingham. “Estou nessa luta até vencermos e conseguirmos mudar o mundo.”
Como concluímos em nossa declaração no dia das prisões:
“Os movimentos que eclodiram na França e na Espanha são também o futuro da Grã-Bretanha. A classe dominante sente isso chegando e está aterrorizada. É por isso que esses capangas do Estado nos atacaram hoje. O futuro está chegando, e ele pertence a nós, não a eles.”
Convidamos nossos leitores, militantes e apoiadores a nos ajudarem a combater a repressão estatal fazendo uma doação para o fundo de luta do PCR; isso nos permitirá continuar construindo as forças do comunismo nas ruas, além de ajudar a cobrir eventuais custos jurídicos.
Por fim, se o ataque do último fim de semana fez você perceber o que está em jogo, e se a resposta do PCR lhe mostrou que tipo de contra ofensiva é necessária para o sucesso do movimento — então exija o futuro e junte-se ao Partido Comunista Revolucionário hoje mesmo!


