Na noite de sexta-feira, 05 de junho, um dos principais dirigentes do Comitê de Ação Awami (CAA) da Caxemira Livre, Sardar Umar Nazir, foi alvo de uma tentativa de assassinato perto de Rawlakot. Ele escapou por pouco, a bala o atingiu na orelha, no entanto um membro do CAA, Shahzeb Habib, foi assassinado.
Um pouco antes, no mesmo dia, o governo da Caxemira Livre, sob ordens do Estado paquistanês, anunciou o banimento do CAA e de todas as suas atividades, declarando-o uma organização terrorista que espalha a anarquia. O governo também cortou os serviços de internet e estendeu a medida aos serviços telefônicos.
Após a tentativa de assassinato, centenas de pessoas se dirigiram imediatamente ao hospital CMH em Rawlakot e começaram a protestar contra a repressão estatal. O protesto continuou até o dia seguinte, e outros protestos contra a repressão estatal eclodiram em cidades por toda Caxemira Livre. Em resposta, a polícia e as forças paramilitares sequestraram mais de 70 manifestantes em diferentes cidades. Isso enfureceu ainda mais as massas e, em alguns lugares, as pessoas conseguiram libertar os manifestantes sequestrados da custódia policial, enquanto entoavam palavras de ordem contra a repressão estatal.

— Partido Comunista Inqalabi (@rcipakistan) 6 de junho de 2026
Em uma mensagem de áudio no dia seguinte, Umar Nazir apelou às massas para que mantivessem a calma diante das provocações do Estado, cujo objetivo era sufocar esse movimento de milhões de pessoas sob violência e derramamento de sangue. Ele conclamou, em vez disso, protestos pacíficos. Também acusou o Estado paquistanês de orquestrar a tentativa de assassinato contra ele, por meio das forças paramilitares enviadas do Paquistão alguns dias antes, incluindo soldados dos Rangers, da Polícia de Punjab e da Polícia da Fronteira.
Nas longas marchas realizadas nos últimos três anos, essas forças paramilitares mataram mais de dez manifestantes e feriram muitos outros. Na última longa marcha, quando a polícia local se recusou a abrir fogo contra os manifestantes, essas forças paramilitares mataram alguns policiais locais em represália.
Umar Nazir também apontou o dedo para o ISI (Serviço de Inteligência Inter-Serviços) e outros serviços secretos do Paquistão, controlados pelo exército e que possuem seus próprios aparatos de segurança paralelos para reprimir movimentos de massa. Ele exigiu que todas as pessoas envolvidas nesse crime fossem identificadas e levadas à justiça.
Mais tarde, no mesmo dia, todos os pontos de entrada para a Caxemira Livre vindos do Paquistão foram bloqueados pela população, e houve fortes greves em várias cidades, incluindo Rawlakot. A direção do CAA anunciou que os protestos continuarão até que todas as suas reivindicações sejam atendidas.
A Longa Marcha de 9 de junho para Muzaffarabad
O CAA da Caxemira anunciou uma longa marcha rumo à capital, Muzaffarabad, com início em 9 de junho, para pressionar pelo cumprimento de sua pauta de reivindicações. Apesar de já terem sido realizadas três longas marchas e de diversas promessas do governo, essas reivindicações ainda não foram totalmente atendidas.
Os preparativos para a longa marcha estão sendo realizados com grande entusiasmo há várias semanas, e já era evidente que esta seria a maior até então. Mais de um milhão de pessoas participarão e pressionarão por suas reivindicações, com um protesto em frente ao parlamento em Muzaffarabad.
Comitês locais de todas as partes da Caxemira Livre vinham realizando reuniões preparatórias nas quais discursos inflamados e palavras de ordem revolucionárias refletiam o espírito desafiador da população. As palavras de ordem revolucionárias nessas reuniões eram lideradas principalmente pela equipe Halla Bol, dos camaradas do Partido Comunista Revolucionário (PCR) na Caxemira, sob a direção do camarada Umer Riaz. Essas palavras de ordem eletrizaram toda a atmosfera. Um espírito rebelde ficou expresso nas reuniões com centenas de ativistas.
O CAA já havia conquistado grandes vitórias, incluindo uma redução de mais de 90% no preço da eletricidade e de mais de 50% no preço da farinha de trigo. O CAA também exigiu o fim do estilo de vida luxuoso de burocratas e políticos às custas do dinheiro público, bem como saúde e educação gratuitas para todos os cidadãos. Eles também exigem emprego garantido ou, em substituição, um auxílio-desemprego para todos.
Uma das principais demandas do CAA para esta longa marcha tem sido a remoção das doze cadeiras na assembleia reservadas para refugiados que migraram para áreas do Paquistão na época da partição e posteriormente, em 1947. O CAA acredita que a atual geração desses refugiados se tornou cidadã do Paquistão e pode exercer seu direito de voto lá, enquanto na assembleia da Caxemira Livre, essas cadeiras são uma importante fonte de corrupção e de apoio à classe dominante paquistanesa por meio de eleições fraudulentas.
De fato, a corrupção e a obsolescência de toda a assembleia em Muzaffarabad foram expostas por este movimento de massa, que as autoridades estatais declararam estar atuando como uma autoridade paralela. O CAA possui uma estrutura democrática na qual representantes eleitos tomam todas as decisões, desde as aldeias e cidades locais até os níveis distrital e central.
O comitê central de 31 membros, também chamado de CAA Conjunto, é composto por três representantes de cada um dos dez distritos e por um coordenador central. A verdade é que o CAA está se desenvolvendo como uma força paralela aos departamentos do Estado, incluindo a administração distrital e até mesmo a polícia em alguns lugares.
A razão é bastante simples. As instituições estatais são corruptas e podres até a medula, e as pessoas não depositam nenhuma esperança nelas. Na verdade, essas instituições são uma fonte constante de humilhação e repressão para o povo comum, enquanto para a elite dominante, essas mesmas instituições são uma fonte de proteção e glória.
Nos últimos três anos, o CAA se espalhou para áreas distantes e, em preparação para essa longa marcha, muitos novos CAAs foram formadas em novas regiões, à medida que mais pessoas continuam a se juntar com entusiasmo e fervor revolucionário.
O CAA também expôs a corrupção de todos os partidos políticos no cenário, que são ferramentas importantes que a classe dominante usa para controlar as massas. Todos esses partidos políticos têm a mesma agenda de pilhagem e corrupção, e de seguir os ditames da classe dominante.
É por isso que, quando uma plataforma alternativa foi oferecida, o povo a abraçou de todo o coração e rejeitou todos os outros partidos. Nos últimos três anos, as lideranças de todos esses partidos esqueceram suas diferenças particulares no que diz respeito à pilhagem e ao saque de recursos, e atacaram conjuntamente o CAA. No entanto, em todas as ocasiões, o povo os rejeitou.
Esse conflito entre o CAA, de um lado, e todos os partidos políticos na Caxemira Livre, do outro, chegou agora a um confronto, já que essa longa marcha está planejada para a véspera do início do processo de eleições gerais. Apenas um dia antes da tentativa de assassinato contra Umar Nazir, o calendário eleitoral foi anunciado, e foi declarado que o processo começaria em 9 de junho, com a votação marcada para 27 de julho.
Este anúncio demonstrou claramente que o governo rejeitou completamente as reivindicações do CAA por reformas eleitorais, para as quais várias negociações haviam sido realizadas entre os dois partidos. Isso significa que agora existem duas forças paralelas na Caxemira Livre: de um lado, o CAA, que conta com o apoio da grande maioria da população, expresso diversas vezes por meio de longas marchas e greves gerais; e, do outro, os partidos políticos, incluindo o governista PPP, PML(N), PTI, JI, MC e outros, que perderam todo o apoio popular.[1]
Em diversas ocasiões, vimos como esses partidos fracassaram em atrair pessoas para seus comícios e reuniões. Apesar de esforços frenéticos, todos foram em vão. Mas, apesar desses fracassos, as autoridades estaduais querem impor esses partidos corruptos mais uma vez a toda a população por meio de uma farsa eleitoral, após a qual um novo governo será imposto e declarado representante do povo da Caxemira Livre. Mas isso está se tornando cada vez mais difícil para as autoridades estaduais. Começou um confronto.
Por parte do CAA, esta não se declarou um partido político nem divulgou qualquer manifesto político, visto que o movimento é composto por ativistas de diversas origens políticas. Inicialmente, quando o debate sobre as eleições começou há alguns meses, o CAA não havia anunciado qualquer posição, mas os acontecimentos a levaram a uma posição de clara oposição ao Estado sobre esta questão.
O CAA pediu a seus membros que não participassem em qualquer atividade relacionada com estas eleições e que qualquer pessoa que participasse nas eleições não poderia participar nas atividades do CAA. Declararam que só considerariam participar nas eleições se as suas reivindicações fossem atendidas, incluindo as relativas às reformas eleitorais. Anunciaram também uma longa marcha, com início a 9 de junho, data prevista para o início do processo eleitoral. Trata-se de um claro confronto com o Estado, que pretende impor esta farsa de eleições ao povo, enquanto o CAA expõe a corrupção do processo, que mais uma vez levará ao poder um dos partidos políticos corruptos, como um fantoche da classe dominante, sem qualquer apoio popular.
Este impasse está se transformando em uma situação de poder dual, na qual o CAA conta com o apoio da grande maioria da população e poderia assumir o poder, mas não está se mobilizando conscientemente para isso. Por outro lado, a estrutura estatal corrupta e o governo perderam todo o apoio e legitimidade aos olhos das massas. As autoridades estatais estão usando todos os meios para se manter no poder e esmagar o movimento a qualquer custo.
A tentativa de assassinato de Umar Nazir é um sinal claro de que não hesitarão em agir para atingir seu objetivo. Além disso, uma campanha difamatória foi desencadeada na mídia paquistanesa contra o CAA. Todos os principais jornalistas, ministros e outros políticos corruptos estão destilando veneno contra este movimento de massa. Eles o declaram uma conspiração patrocinada pela Índia e chamam esses ativistas pacíficos de terroristas. Os verdadeiros terroristas e inimigos do povo são esses ministros e personalidades da mídia corruptos, que estão usando todos os truques e mentiras para sabotar este movimento.
O Partido Comunista Inqalabi (PCR) na Caxemira tem participado ativamente deste movimento desde o primeiro dia. De fato, os camaradas do PCR construíram o primeiro CAA na pequena cidade de Khaigala, perto de Rawlakot, de onde se espalhou para outras cidades e distritos.
Na sexta-feira, 5 de maio, uma reunião preparatória foi realizada com êxito em Khaigala, na qual os camaradas do PCR desempenharam um papel de direção. Umar Nazir também discursou nesta reunião. O camarada dirigente do PCR, Yasir Irshad, que discursou nas reuniões do CAA quase diariamente no último mês, foi um dos principais oradores.
Umar Nazir foi atacado pela polícia quando retornava da reunião. Esta reunião expressou o espírito desafiador dos participantes e sua determinação em conquistar todas as reivindicações desta longa marcha. Também houve discussão sobre a questão da tomada do poder e o papel do Estado burguês. Na verdade, essas discussões têm sido levadas pelos camaradas do PCR a todas as reuniões do CAA ao longo do último ano, e esse debate se desenvolveu entre amplas camadas de ativistas.

— Partido Comunista Inqalabi (@rcipakistan) 23 de abril de 2026
O PCR no Paquistão está levando o entusiasmo e a energia deste movimento para várias cidades do país e organizando encontros para discutir as lições aprendidas com o movimento e como os trabalhadores e estudantes do Paquistão podem apoiá-lo.
O caminho a seguir, no entanto, deve ser uma luta conjunta do povo contra o Estado paquistanês repressivo e seus amos imperialistas. Em sua essência, é uma luta para derrubar o capitalismo, que é a base deste Estado e de todos os problemas enfrentados pelas massas. O PCR está fortalecendo suas forças para derrubar este sistema. Um de nossos camaradas, Ehsan Ali, que está preso em Guilguite, lançou o primeiro CAA em Guilguite em 2014 e dirigiu um movimento de massa rumo à vitória. Este movimento se espalhou posteriormente para a Caxemira por meio dos camaradas do PCR.
É bem possível que, em futuro próximo, este movimento na Caxemira se espalhe por todo o Paquistão. Assim como os rios que descem das montanhas de Guilguite-Baltistão e Caxemira fertilizam as terras do Paquistão, este movimento de massas pode se espalhar por essas regiões e se desenvolver em uma força revolucionária de massas que travará a batalha final contra a classe dominante deste país e derrubará o capitalismo por meio de uma revolução socialista.
O PCR está trabalhando para alcançar seu objetivo e está determinado a enfrentar todas as dificuldades em nosso caminho.
Viva o Comitê de Ação Awami da Caxemira! Rumo à vitória!
Lutemos contra a repressão do Estado paquistanês na Caxemira!
Prisão aos envolvidos na tentativa de assassinato de Umar Nazir!
Liberdade para todos os membros do CAA presos!
Morte ao capitalismo!
Viva o comunismo!
Trabalhadores do mundo, uni-vos!
[1] Nota do tradutor: PPP: Pakistan Peoples Party — em português, Partido Popular do Paquistão; PML(N): Pakistan Muslim League (Nawaz) — em português, Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz; PTI: Pakistan Tehreek-e-Insaf — em português, Movimento Paquistanês pela Justiça; JI: Jamaat-e-Islami — partido islâmico paquistanês, geralmente traduzido como Partido Islâmico; MC: Muslim Conference — em português, Conferência Muçulmana.

