Tendo como pano de fundo a repressão brutal lançada pelo Estado paquistanês, o Comitê de Ação Awami (AAC da sigla em inglês), atuante na Caxemira ocupada e em Guilguite-Baltistão, expandiu-se rapidamente por toda a região. O AAC tem dirigido o enfrentamento aos grupos criminosos que saqueiam essas regiões ricas em recursos naturais e já conquistou importantes vitórias: uma redução de 90% nas tarifas de eletricidade e de 50% no preço da farinha de trigo, para citar alguns exemplos.
Ao desmascarar a podridão das chamadas instituições democráticas instaladas nessas regiões — que, na verdade, são dirigidas por marionetes da classe dominante paquistanesa —, o AAC chegou a se tornar uma autoridade paralela em algumas áreas. Isso gerou medo na classe dominante paquistanesa.
Nesse contexto, o Estado paquistanês intensificou recentemente a repressão a essas regiões ocupadas, tendo o AAC como principal alvo de seus ataques. Em 5 de junho, o governo da Caxemira Livre, cumprindo ordens do Estado paquistanês, declarou o AAC uma organização terrorista.
Sardar Umar Nazir, um dos principais dirigentes do AAC da Caxemira Livre, foi alvo de uma tentativa de assassinato e escapou com vida por pura sorte. Outro militante do AAC, Shahzeb Habib, foi assassinado durante a ação. O funeral dele em Rawalakot tornou-se um ponto crítico de tensão, quando forças de segurança abriram fogo indiscriminadamente contra milhares de manifestantes reunidos para prestar homenagens, matando e ferindo centenas de pessoas. Essa repressão não intimidou o ânimo das massas, que lutam pela libertação de militantes do AAC sequestrados e organizaram uma longa marcha de protesto até a capital regional, Muzaffarabad, mantendo a firme decisão de prosseguir apesar da ameaça de violência por parte do Estado.
Essa brutalidade ocorreu no contexto mais amplo de crescente repressão estatal em ambos os territórios ocupados. Na vizinha Guilguite-Baltistão, dirigentes do AAC têm sido repetidamente presos e torturados por lutarem por melhores condições de vida.
A Internacional Comunista Revolucionária organizou uma campanha internacional de solidariedade bem-sucedida para lutar pela liberdade deles, a qual contou com o apoio de organizações internacionais de direitos humanos, bem como de figuras políticas de destaque.
No mesmo espírito de solidariedade internacional, publicamos abaixo uma moção de solidariedade ao movimento operário no Paquistão, apresentada pela seção brasileira da ICR e apoiada por diversos deputados federais.
Moção de solidariedade ao movimento dos trabalhadores no Paquistão
Brasília, 16 de junho de 2026
Os parlamentares abaixo-assinados expressam sua profunda preocupação com o banimento e proibição das atividades políticas do Comitê de Ação Awami da Caxemira Livre (AAC da sigla em inglês), sob a falsa acusação de práticas de terrorismo e incitação à violência. O Comitê de Ação Awami luta pacificamente por melhores condições de vida para a população da Caxemira Livre e representa centenas de milhares de paquistaneses. Proibí-lo de exercer sua atividade política significa negar o mais básico direito democrático ao povo do Paquistão.
Na noite de sexta-feira, 05 de junho, o principal dirigente deste comitê, Sardar Umar Nazir, foi alvo de uma tentativa de assassinato perto de Rawalakot. Ele escapou por pouco, a bala atingiu sua orelha, no entanto uma outra liderança, Shahzeb Habib, foi assassinado.
Neste dia 05 de junho o Comitê de Ação Awami organizava uma longa marcha até a capital Muzaffarabad, uma marcha pacífica que tinha como objetivo exigir do parlamento da Caxemira Livre medidas para conter a carestia dos combustíveis e dos alimentos.
Como decidido, a marcha começou no dia 09 de junho, já neste dia a marcha foi duramente reprimida pelas forças policiais do Paquistão, quando se concentrava em Rawalakot, neste ato de repressão, manifestantes foram mortos e muitos foram feridos, não temos acesso ao número exato, pois a internet local foi cortada pelo Governo paquistanês, uma notícia da BBC fala em 15 mortes.
A longa marcha permanece nos arredores da cidade de Rawalakot e apesar da repressão realizou um grande ato com dezenas de milhares de pessoas, no dia 13 de junho. Mesmo com seus dirigentes tendo sido forçados à clandestinidade para preservar suas vidas.
Abrir fogo contra manifestantes pacíficos foi um ato bárbaro efetuado pelo Estado paquistanês, que deve ser responsabilizado.
Esta moção cobra que o Governo brasileiro notifique o Governo do Paquistão e expresse sua preocupação com essa violação dos direitos humanos, que foi denunciada por diversos organismos humanitários internacionais, como a Anistia Internacional. Esta moção exige o fim da perseguição política contra o Comitê de Ação Awami da Caxemira Livre, a libertação dos manifestantes presos durante a marcha de 9 de junho e que se retire todas as acusações contra seus membros e dirigentes.
Fernanda Melchionna – Deputada Federal
Glauber Braga – Deputado Federal
Sâmia Bomfim – Deputada Federal

